Metodologia e fontes
Cada número do Futuro das Carreiras deve responder a seis perguntas: qual base, qual ano, qual código, qual filtro, qual consulta e quando foi atualizado. Esta página documenta as respostas e separa o que é dado oficial do que é leitura editorial.
Seis tipos de conteúdo, sempre identificados
Toda seção das fichas de profissão carrega um rótulo com a sua natureza. Um dado oficial nunca aparece misturado a uma opinião sem que o leitor (ou um sistema automatizado) consiga distinguir os dois. O rótulo também vai no HTML, no atributo data-tipo de cada seção.
Número extraído de base pública (RAIS/MTE, CBO) por consulta reproduzível. Sempre acompanhado de base, ano, código, filtro e data de processamento.
Faixa construída pela redação (por exemplo, salário por nível de senioridade). Usa os percentis oficiais como âncora quando existem, mas não é estatística oficial.
Interpretação do mercado: saturação, teto, setores que pagam mais, riscos. Opinião fundamentada da redação, não medição.
Leitura sobre o futuro da ocupação e o impacto da automação e da IA. Julgamento sobre exposição de tarefas, não previsão quantitativa.
Caminhos sugeridos: especialização, migração, formação. Orientação editorial, condicionada ao perfil de cada pessoa.
Calculadoras com parâmetros públicos (tabelas do INSS, IRPF, Simples Nacional, Selic e IPCA do Banco Central). O resultado depende do que a pessoa digita.
Regra editorial: quando não existe base pública para um número, o texto usa linguagem qualitativa ("demanda crescente", "mercado concentrado") em vez de inventar uma cifra. Números com fonte identificável levam a fonte junto.
Salários e empregos formais: RAIS
Os dados oficiais de estoque de vínculos e remuneração exibidos nas fichas de profissão vêm da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), registro administrativo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que cobre todos os vínculos empregatícios formais do país. Usamos os microdados públicos (arquivos de vínculos por região, disponibilizados pelo PDET), não tabelas prontas.
Ficha técnica da base em uso (RAIS 2025)
Relação Anual de Informações Sociais — Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) / PDET
2025 — vínculos ativos em 31/12/2025
ftp://ftp.mtps.gov.br/pdet/microdados/RAIS/2025/ (7 arquivos regionais de vínculos)
Ind Vínculo Ativo 31/12 = 1 (vínculo empregatício formal ativo em 31 de dezembro)
Vl Rem Média Nom (remuneração média mensal nominal no ano, R$ correntes)
vínculos ativos com remuneração média > 0
nacional, CBO 2002 de 6 dígitos, sem tratamento de outliers, sem deflação
60.691.770 vínculos ativos · 2.707 ocupações (CBO 6 dígitos) · mediana nacional R$ 2.638, média R$ 4.249
17/09/2026, script scripts/rais-process.py
CSV por CBO (colunas: cbo, vinculos, vinculos_remun, media, p10, p25, p50, p75, p90, p95)
Como ler os números
- Vínculos ativos em 31/12 é estoque, não fluxo: quantos empregos formais daquela ocupação existiam no último dia do ano. Não é "número de profissionais" (uma pessoa pode ter dois vínculos; quem atua como PJ ou autônomo não aparece).
- Mediana (p50) é o valor que divide os vínculos ao meio; é o que mostramos em destaque porque a média é puxada para cima por poucos salários muito altos. A faixa p25 a p75 contém a metade central; p90 marca o topo. Não removemos outliers: o p95 está no CSV para quem quiser medir a cauda.
- Remuneração média mensal nominal é a média dos meses trabalhados no ano, em reais correntes daquele ano, sem deflação. Comparações entre anos são nominais.
- CLT × PJ: a RAIS cobre emprego formal (CLT, estatutários, temporários, aprendizes). Em profissões com forte atuação como pessoa jurídica ou autônoma (medicina, advocacia, TI, criativas), os valores da RAIS descrevem apenas a fatia empregada e tendem a subestimar a renda típica. As fichas avisam isso e tratam a renda PJ como estimativa editorial.
- Regionalização: além do agregado nacional, publicamos o recorte por UF do estabelecimento (município de trabalho, não residência): vínculos, setor público, mediana e faixa central por UF, por UF × área e por UF × ocupação, com o mesmo filtro e a mesma variável. Nas fichas, a tabela "Por estado" mostra as maiores UFs; estados com poucos vínculos têm mediana instável e devem ser lidos com cautela. Datasets:
rais_uf_{ano}.csv,rais_uf_areas_{ano}.csv,rais_uf_cbo6_{ano}.csv. - CBO 6 dígitos: cada ficha corresponde a uma ocupação da CBO 2002. Quando o CBO da profissão não consta na base, a ficha não exibe o bloco de dados oficiais.
- Setor público × privado: cada vínculo é classificado pela natureza jurídica do empregador (códigos 1xxx = administração pública). A cobertura da administração pública muda entre anos-base (de 2024 para 2025 o público cresceu 14,4% e o privado 2,6%, este último coerente com o estoque celetista do CAGED, +2,7%). Por isso, toda variação entre anos é calculada só no setor privado; o estoque total é mostrado como está na base, com o número de vínculos públicos ao lado.
Salário de admissão (Novo CAGED)
Ao lado da RAIS, as fichas e os painéis mostram o salário mediano de admissão: a mediana do salário declarado nas admissões dos últimos doze meses, por ocupação, por área e por escolaridade (unidade mensal, valor > 0, R$ correntes, sem tratamento de outliers). É salário de entrada, normalmente abaixo da mediana do estoque, e serve para comparar o que o mercado paga a quem está sendo contratado agora.
Faixas salariais por nível (estimativa editorial)
Além do dado oficial, as fichas trazem faixas por senioridade (júnior, pleno, sênior, liderança). Elas são estimativa editorial: quando a ocupação tem CBO na base, usam os percentis da RAIS como âncora (p25 ≈ entrada, p50 ≈ pleno, p75 ≈ sênior, p90 ≈ liderança), ajustados por referências de mercado e pela experiência da redação em cada área; quando não tem, apoiam-se só nessas referências. Estão sempre rotuladas e nunca substituem o bloco de dados oficiais.
Empregabilidade: Novo CAGED e áreas por CBO
O fluxo do emprego formal (admissões, desligamentos, saldo e salário de admissão) vem dos microdados públicos do Novo CAGED (MTE/PDET), processados pelo Futuro das Carreiras, e não das tabelas prontas da divulgação mensal. Nas fichas de profissão, empregabilidade é o estoque de vínculos ativos em 31/12 (RAIS) e, quando houver mais de um ano-base processado pelo mesmo método, a sua variação; nos painéis por área entra também o saldo de 12 meses do CAGED.
Ficha técnica do Novo CAGED em uso
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED, eSocial) — Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) / PDET
01/2025 a 07/2026 (57 arquivos MOV/FOR/EXC)
últimos 12 meses: 08/2025 a 07/2026 — 26.658.253 admissões, 25.777.536 desligamentos, saldo +880.717
saldo = MOV + FOR − EXC por competência de movimentação (série com ajustes); admissão = saldomovimentação +1, desligamento = −1
variável salário das admissões com unidade mensal (código 5) e valor > 0, R$ correntes, sem tratamento de outliers
Saldo apurado para 2025: +1.271.884; a divulgação oficial de 29/01/2026 informou +1.279.498. A diferença vem das declarações fora do prazo e exclusões recebidas depois da divulgação, que a série com ajustes incorpora.
17/09/2026, script scripts/caged-process.py
Brasil mensal · por CBO (12 m) · por CBO e mês · por área · por município · por seção CNAE · por escolaridade
Como as áreas são definidas
Cada área profissional é a soma de famílias e ocupações da CBO 2002 listadas no mapa público de áreas (versão 2026-09-16, 18 áreas). A resolução é por prefixo mais longo: uma ocupação pertence a uma única área; ocupações fora do mapa entram só nos totais nacionais. Áreas sem família própria na CBO 2002 (segurança da informação, gestão de projetos, ciência de dados) não têm agregado, em vez de receber um número emprestado. O mesmo mapa é aplicado à RAIS e ao CAGED, por isso estoque e fluxo são comparáveis.
- Taxa = saldo de 12 meses ÷ vínculos ativos em 31/12 do ano-base mais recente da RAIS. Rotatividade = desligamentos de 12 meses ÷ estoque.
- Rótulo (expansão, estável, retração) é regra aritmética sobre a taxa: ≥ +3% expansão; entre −1% e +3% estável; abaixo de −1% retração. Não é juízo editorial.
- Capitais e UFs: saldo por município de trabalho (o do estabelecimento), todas as ocupações, na mesma janela; por UF também por área (
caged_uf_areas_12m.csv) e por ocupação (caged_uf_cbo6_12m.csv). - Atualização automática: o CAGED é rebaixado e reprocessado nos dias 5 e 20 de cada mês; quando aparece uma competência nova no PDET, todos os painéis, fichas e datasets derivados são regerados e publicados no mesmo dia, com a nova janela de 12 meses e a data de processamento.
- O CAGED cobre só o emprego celetista; estatutários, PJ e informais não entram no fluxo. O estoque da RAIS inclui estatutários. Por isso a taxa de áreas com muito setor público (educação, saúde) tende a parecer menor.
Desocupação e rendimento: PNAD Contínua (IBGE)
Taxa de desocupação, desocupação por nível de instrução e rendimento médio são lidos diretamente da API de agregados do IBGE (servicodados.ibge.gov.br), sem transcrição manual: tabela 6381 (desocupação, trimestre móvel), tabela 4095 (desocupação por nível de instrução, trimestral) e tabela 6390 (rendimento médio mensal nominal habitual, trimestre móvel). O servidor guarda a leitura por seis horas; se o IBGE estiver fora do ar, a última leitura boa é servida e marcada como cache. Cada número traz o período de referência (por exemplo, "trimestre móvel encerrado em jul/2026") e a tabela de origem.
Profissões, códigos e regulação
- Nomenclatura, família e hierarquia ocupacional vêm da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 2002), do MTE: grande grupo, subgrupo principal, subgrupo e família. A lista de "outras formas de chamar" junta os sinônimos oficiais da CBO a variantes de uso corrente cadastradas pela redação.
- Conselhos profissionais e base legal: a ficha só afirma que uma profissão é regulamentada quando existe conselho federal (CFM, OAB, Cofen, CFC, CREA/CAU, CFP, CFF, CFN, Coffito, CFMV, CFA, entre outros) ou lei específica em uma lista curada pela redação a partir dos sites oficiais dos conselhos e da legislação. Profissões fora dessa lista são apresentadas como "profissão livre, sem conselho".
- Normas Regulamentadoras (NRs), adicionais de insalubridade e periculosidade citados nas seções de risco seguem o texto das NRs do MTE e da CLT; a aplicação a cada caso é análise editorial.
Formação e capacitação
Os caminhos de formação apresentados em cada ficha (graduação, técnico, concurso, pós-graduação, certificações) são recomendação editorial organizada por grande grupo da CBO e pela regulação da profissão. Quando uma titulação é exigida por lei ou conselho, a exigência é citada com a base legal; quando é apenas usual no mercado, o texto diz isso.
Os números de educação superior do portal (matrículas, instituições, ingressantes, concluintes, modalidade) vêm das Notas Estatísticas do Censo da Educação Superior 2024 (Inep, 22/09/2025), conferidos no documento. O Censo cobre a graduação; para a pós-graduação lato sensu não há base pública consolidada, por isso não publicamos contagens de cursos ou matrículas de especialização. Referências à pós lato sensu seguem a regulação vigente (Resolução CNE/CES nº 1/2018: 360 horas, corpo docente com ao menos 30% de mestres e doutores, sem prazo mínimo fixado), e cursos só são mencionados como caminho, nunca como dado.
Tendências, automação e IA
As seções "Futuro da profissão" e as leituras sobre impacto da inteligência artificial são projeção editorial. O método é qualitativo: decompomos a ocupação em tarefas e avaliamos, tarefa a tarefa, o quanto é rotina codificável (mais exposta) e o quanto exige julgamento, relação, responsabilidade legal ou presença física (menos exposta). O resultado é uma leitura de direção, não uma probabilidade nem um percentual de "empregos que vão desaparecer".
Quando citamos estudos externos sobre automação, o estudo é nomeado no próprio parágrafo. Quando não há citação, a afirmação é da redação e deve ser lida como opinião fundamentada.
Ferramentas e calculadoras
As calculadoras (CLT × PJ, aposentadoria, patrimônio, precificação, salário líquido, ROI de pós-graduação) usam parâmetros públicos: tabelas vigentes do INSS e do IRPF, alíquotas do Simples Nacional, salário mínimo, Selic, CDI e IPCA (séries do Banco Central, atualizadas automaticamente). As fórmulas estão descritas em cada ferramenta. O resultado é uma simulação a partir do que a pessoa informa, não uma recomendação financeira.
Atualização e versões
Cada base tem a sua data. Nos blocos de dados oficiais, "processado em" é a data em que o Futuro das Carreiras rodou a consulta sobre os microdados; a data de referência é a do próprio registro (31/12 do ano-base). Os datasets são versionados por ano e permanecem publicados para permitir comparação.
Processado em 17/09/2026 · 60.691.770 vínculos ativos · 2.707 CBOs · CSV
Processado em 17/09/2026 · 57.800.651 vínculos ativos · 2.708 CBOs · CSV
Processado em 17/09/2026 · 55.818.007 vínculos ativos · 2.685 CBOs · CSV
Histórico: um processamento anterior da RAIS 2023 (maio de 2026, 50,97 milhões de vínculos) usava uma versão parcial dos microdados e foi substituído em 17/09/2026 pelos arquivos definitivos do PDET (55,82 milhões), processados pelo mesmo script das demais bases. Números citados em fichas antes dessa data podem diferir dos atuais.
Encontrou um número sem fonte, uma fonte errada ou um dado desatualizado? Avise. Correções entram na página com a data da alteração.
Como citar
Para um dado oficial exibido em uma ficha, cite a base e o nosso processamento:
Para uma análise, projeção ou recomendação, cite como conteúdo editorial:
Os datasets agregados podem ser reutilizados com atribuição (CC BY 4.0). Os microdados originais são públicos e pertencem ao MTE.